Por Marcio Dearo
O ransomware em 2026 está diferente. E as estratégias utilizadas pelas empresas para combatê-lo também precisam mudar.
Durante muito tempo, ransomware foi associado principalmente a malware enviado em massa por e-mail na expectativa de que alguém clicasse em um arquivo ou link malicioso.
Esse cenário evoluiu.
Hoje, o ransomware faz parte de um ecossistema profissionalizado de cibercrime, envolvendo operadores de ransomware, afiliados, corretores de acesso, roubo de credenciais, engenharia social e técnicas específicas para contornar controles tradicionais de segurança.
O Microsoft Digital Defense Report descreve uma economia de cibercrime cada vez mais especializada, envolvendo access brokers, operadores de ransomware e grupos dedicados à extorsão de dados.
E os números de 2026 mostram uma mudança importante.
Segundo o Sophos State of Ransomware 2026, e-mail malicioso foi apontado como causa raiz em 26% dos ataques, phishing em 24%, credenciais comprometidas em 23% e exploração de vulnerabilidades em 18%. Pela primeira vez em quatro anos, vulnerabilidades exploradas deixaram de ocupar a primeira posição.
Isso significa que proteger uma empresa contra ransomware exige muito mais do que antivírus, firewall e atualização de sistemas.
É preciso combinar:
- proteção de identidade;
- prevenção;
- detecção comportamental;
- gestão de vulnerabilidades;
- monitoramento contínuo;
- segmentação;
- backups protegidos;
- resposta a incidentes;
- capacidade real de recuperação.
A seguir, veja 9 medidas essenciais para reduzir o risco de ransomware em 2026.
O que mudou nos ataques de ransomware em 2026?
A principal mudança está na forma como os criminosos conseguem acesso às empresas.
Ataques baseados em identidade ganharam relevância. Credenciais roubadas, phishing, engenharia social e acessos legítimos comprometidos permitem que criminosos entrem no ambiente sem necessariamente depender de um malware facilmente detectável.
O Sophos Active Adversary Report 2026 aponta que 67% dos incidentes investigados por seus times de Incident Response e MDR estavam relacionados a ataques de identidade.
Isso muda significativamente a estratégia de defesa.
Uma empresa pode estar com seus sistemas atualizados e ainda assim ser comprometida através da conta legítima de um funcionário.
Como proteger sua empresa contra ransomware em 2026
Prepare seus funcionários para phishing, spear phishing e ataques com IA
O fator humano continua sendo uma das principais superfícies de ataque.
Mas os golpes evoluíram.
Além do phishing tradicional por e-mail, criminosos utilizam cada vez mais:
- spear phishing direcionado a executivos;
- engenharia social;
- mensagens falsas em aplicativos corporativos;
- roubo de credenciais;
- impersonação de colaboradores;
- phishing por voz;
- conteúdos sintéticos produzidos com inteligência artificial.
A inteligência artificial também tornou mais fácil criar mensagens convincentes, personalizadas e com poucos erros aparentes.
Por isso, treinamento de conscientização em segurança não deve acontecer apenas uma vez por ano.
Empresas precisam realizar campanhas contínuas, simulações de phishing e treinamento específico para os novos métodos de engenharia social.
O que fazer
Treine funcionários para reconhecer solicitações incomuns de pagamentos, alterações cadastrais, redefinições de senha, solicitações de MFA e mensagens urgentes que tentem induzir decisões rápidas.
Adote autenticação resistente a phishing, não apenas MFA
Ativar MFA continua sendo essencial.
Mas ter algum tipo de MFA não significa automaticamente estar protegido contra ransomware.
O State of Ransomware 2026 identificou que, entre as organizações nas quais credenciais comprometidas foram a causa do ataque, 97% possuíam MFA habilitado de alguma forma. O problema estava principalmente nas lacunas de cobertura ou nos mecanismos utilizados.
Atacantes aprenderam a explorar:
- MFA fatigue;
- roubo de sessão;
- engenharia social;
- aplicações legadas sem MFA;
- VPNs desprotegidas;
- consoles administrativos expostos.
Por isso, a evolução natural é utilizar autenticação resistente a phishing, como mecanismos baseados em FIDO2 e passkeys.
A Microsoft também recomenda autenticação multifator resistente a phishing como uma das principais proteções contra ataques baseados em identidade.
Combine MFA com:
- princípio do menor privilégio;
- Conditional Access;
- gestão de identidades;
- monitoramento de autenticações anômalas;
- proteção de contas administrativas;
- revisão periódica de permissões.
E existe outro ponto muitas vezes esquecido: contas antigas ou de ex-funcionários devem ser removidas imediatamente.
Uma identidade esquecida pode se transformar em uma porta de entrada para o ambiente.
Mantenha gestão de vulnerabilidades e patches como processos contínuos
Atualizar sistemas continua sendo fundamental.
A diferença é que patch management não pode mais ser tratado como a única grande defesa contra ransomware.
O relatório Sophos 2026 apontou redução significativa da exploração de vulnerabilidades como causa raiz dos ataques analisados, enquanto phishing, e-mail malicioso e credenciais comprometidas ganharam destaque.
Isso não significa que vulnerabilidades ficaram menos perigosas.
Especialmente equipamentos expostos diretamente à internet, como:
- firewalls;
- VPNs;
- servidores;
- appliances;
- aplicações públicas;
continuam sendo alvos extremamente relevantes.
Uma estratégia moderna deve incluir:
- inventário de ativos;
- gestão de vulnerabilidades;
- priorização baseada em risco;
- aplicação de patches;
- identificação de ativos expostos;
- monitoramento de vulnerabilidades exploradas ativamente.
O objetivo não é simplesmente “instalar patches”, mas reduzir continuamente a superfície de ataque.
Use EDR, XDR e MDR para detectar comportamento malicioso
Antivírus tradicional ainda possui seu papel, mas sozinho é insuficiente contra ataques modernos.
Ransomware operado por humanos pode envolver várias etapas antes da criptografia:
- comprometimento inicial;
- roubo de credenciais;
- reconhecimento do ambiente;
- escalada de privilégios;
- movimentação lateral;
- exfiltração de dados;
- desativação de controles;
- criptografia.
Esse processo cria diversos sinais que podem ser identificados antecipadamente.
Soluções de EDR e XDR analisam comportamentos suspeitos em endpoints, identidades, servidores, e-mail, rede e nuvem.
Já serviços de MDR — Managed Detection and Response acrescentam monitoramento especializado e resposta contínua às ameaças.
O objetivo é simples:
identificar o invasor antes que ele chegue à etapa de criptografia ou extorsão.
Adote Zero Trust e reduza movimentação lateral
Uma vez dentro do ambiente, um dos objetivos do atacante é se movimentar entre sistemas.
Por isso, segmentação de rede continua sendo essencial.
Mas a abordagem moderna vai além da divisão tradicional da rede e passa pelo conceito de Zero Trust.
Zero Trust parte do princípio de que nenhum usuário, dispositivo ou aplicação deve ser considerado confiável automaticamente apenas porque está conectado à rede corporativa.
A CISA recomenda explicitamente a adoção de arquitetura Zero Trust, associada ao princípio do menor privilégio, para reduzir a possibilidade de acessos não autorizados.
Na prática, isso envolve:
- validar continuamente identidades;
- limitar privilégios;
- segmentar ambientes;
- controlar acessos administrativos;
- restringir comunicação entre sistemas;
- monitorar atividades incomuns.
Assim, mesmo quando uma credencial é comprometida, o atacante encontra mais barreiras para avançar pelo ambiente.
Como reduzir o impacto de um ataque de ransomware
Nenhuma arquitetura de segurança oferece risco zero.
Por isso, uma estratégia completa precisa responder também a outra pergunta:
se o ransomware entrar, sua empresa consegue continuar operando?
Proteja o backup contra o próprio ransomware
Backups são uma das principais linhas de defesa contra ransomware.
Mas existe um problema.
Atacantes também procuram backups.
Antes de iniciar a criptografia do ambiente, é comum tentar localizar, apagar ou comprometer os mecanismos utilizados para recuperação.
Por isso, uma estratégia moderna de backup deve incluir:
- múltiplas cópias dos dados;
- armazenamento separado do ambiente de produção;
- cópias offline quando aplicável;
- armazenamento imutável;
- criptografia;
- controle rigoroso de acesso;
- testes periódicos de restauração.
A CISA recomenda manter backups offline e criptografados, testar regularmente sua disponibilidade e integridade e utilizar mecanismos de proteção contra exclusão ou alteração.
O NIST também recomenda que empresas protejam e isolem seus backups e testem regularmente suas estratégias de restauração.
Regra 3-2-1-1-0
Uma referência bastante utilizada pelo mercado é:
- 3 cópias dos dados;
- 2 tipos de mídia ou armazenamento;
- 1 cópia fora do ambiente principal;
- 1 cópia offline ou imutável;
- 0 erros após testes de recuperação.
Mas existe uma regra ainda mais importante:
backup que nunca foi restaurado não deveria ser considerado recuperação garantida.
Tenha um plano de resposta a ransomware realmente testado
Um documento chamado “Plano de Resposta a Incidentes” guardado em uma pasta não significa necessariamente que a empresa esteja preparada.
Durante um ataque real surgem perguntas como:
- Quem pode desligar um sistema crítico?
- Quem aciona a diretoria?
- Quem decide isolar a rede?
- Quem aciona fornecedores?
- Como comunicar clientes?
- Como preservar evidências?
- Qual sistema deve ser recuperado primeiro?
- Quanto tempo a empresa consegue permanecer parada?
Essas respostas precisam existir antes do incidente.
A CISA recomenda criar, manter e exercitar regularmente planos de resposta a incidentes e comunicação específicos para ransomware e extorsão de dados.
O NIST também recomenda planos de recuperação com papéis, prioridades e responsabilidades previamente definidos.
Exercícios de simulação são fundamentais
Tabletop exercises e simulações controladas permitem testar:
- responsabilidades;
- escalonamento;
- comunicação;
- tomada de decisão;
- recuperação;
- interação com fornecedores.
É muito melhor descobrir uma falha durante um exercício do que durante uma crise real.
Transforme cada incidente em aprendizado
Depois de um incidente, restaurar os sistemas não encerra o trabalho.
É necessário descobrir:
- como o invasor entrou;
- quais credenciais foram comprometidas;
- quanto tempo permaneceu no ambiente;
- quais sistemas foram acessados;
- quais dados podem ter sido exfiltrados;
- quais controles falharam;
- como evitar uma recorrência.
A CISA recomenda documentar as lições aprendidas e utilizar os resultados para atualizar políticas, procedimentos e futuros exercícios de resposta.
Uma análise pós-incidente bem conduzida transforma um incidente em melhoria contínua de segurança.
Não trate seguro cibernético como substituto para segurança
O seguro cibernético pode ajudar a reduzir impactos financeiros de incidentes.
Mas ele não substitui controles técnicos e operacionais.
Além disso, seguradoras vêm aumentando os requisitos de segurança necessários para contratação ou renovação das apólices.
Controles normalmente avaliados podem incluir:
- MFA;
- EDR;
- proteção de e-mail;
- gestão de vulnerabilidades;
- backups protegidos;
- segmentação de rede;
- resposta a incidentes.
Na prática, maturidade de segurança e gestão de riscos passaram a influenciar diretamente a segurabilidade das organizações.
Como reduzir o impacto de um ataque de ransomware
Se você acompanhou o framework de segurança em camadas apresentado nesta série, essa é uma peça que fica, propositalmente, antes de todas as outras.
Usando como referência as funções centrais do NIST Cybersecurity Framework, o monitoramento de risco digital atua principalmente em duas frentes:
Identificar, o CSF trata a identificação de riscos como o alicerce de qualquer estratégia de segurança, e isso inclui saber o que já está exposto sobre a empresa fora do próprio ambiente, não apenas o inventário interno de ativos.
Detectar, mas de forma antecipada. Em vez de identificar um ataque em andamento dentro da rede, essa camada identifica o sinal que normalmente precede o ataque: a credencial que já vazou, o domínio que já foi registrado para phishing, a menção à empresa em um grupo de negociação de acessos.
Essa antecipação muda o tipo de decisão que uma empresa consegue tomar.
Descobrir que uma credencial vazou e trocar a senha antes que alguém a use é uma reação simples e barata. Descobrir isso só depois que a credencial foi usada para invadir a rede é um problema completamente diferente, e muito mais caro.
Afinal, qual é a melhor proteção contra ransomware?
Não existe uma única ferramenta capaz de impedir ransomware.
A melhor estratégia combina diversas camadas:
Identidade + Endpoint + Rede + E-mail + Backup + Monitoramento + Resposta + Recuperação.
CISA, NIST, FBI, Microsoft e especialistas do mercado convergem para um princípio semelhante:
resiliência contra ransomware depende de prevenção, detecção, resposta e recuperação funcionando juntas.
O ransomware moderno precisa ser tratado como risco de negócio e não apenas como problema técnico do departamento de TI.
Checklist rápido: sua empresa está preparada para ransomware?
Faça estas perguntas:
- Todos os acessos críticos possuem MFA?
- O MFA utilizado é resistente a phishing?
- Contas administrativas possuem proteção diferenciada?
- Existe monitoramento contínuo de endpoints e identidades?
- A empresa utiliza EDR ou XDR?
- Existe capacidade MDR ou SOC para responder rapidamente?
- Vulnerabilidades são identificadas e priorizadas?
- A rede é segmentada?
- Os backups possuem proteção contra alteração ou exclusão?
- Existem cópias isoladas ou imutáveis?
- A restauração dos backups é testada regularmente?
- Existe um plano de resposta a incidentes?
- A diretoria sabe qual é seu papel durante um ataque?
- O plano já foi testado através de uma simulação?
Se várias dessas respostas forem “não” ou “não sei”, existe uma exposição que merece ser avaliada.
Como a WTSNET ajuda empresas a se proteger contra ransomware
Implementar uma estratégia moderna contra ransomware vai muito além da aquisição de ferramentas.
O maior desafio está em fazer diferentes tecnologias e processos funcionarem como uma única arquitetura de segurança.
É exatamente nesse ponto que a WTSNET atua.
Ajudamos empresas a avaliar riscos, identificar lacunas e implementar uma estratégia de cibersegurança baseada em prevenção, detecção, resposta e recuperação.
Nossa atuação pode integrar tecnologias como:
Sophos
Proteção de endpoints, firewalls de próxima geração, XDR e serviços de Managed Detection and Response.
Microsoft Security
Microsoft Defender, Microsoft Entra ID, Microsoft Intune, Microsoft Sentinel e Microsoft Purview para proteção de identidades, dispositivos, dados e ambientes Microsoft 365 e Azure.
Acronis Cyber Protect Cloud
Backup, proteção contra ransomware, recuperação e continuidade dos negócios.
Além das tecnologias, a WTSNET auxilia empresas na implementação de práticas alinhadas a referências como o NIST Cybersecurity Framework e recomendações da CISA.
O objetivo não é simplesmente adicionar novas ferramentas.
É construir uma arquitetura na qual cada camada de segurança contribua para:
prevenir o ataque, detectar rapidamente uma invasão, limitar seu impacto e recuperar a operação.
Sua empresa estaria preparada se um ransomware começasse hoje?
Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Não se trata apenas de saber se sua empresa possui firewall, antivírus ou backup.
A questão é:
essas tecnologias funcionariam juntas durante um ataque real?
Se sua empresa nunca colocou essa resposta à prova, este pode ser o momento de avaliar sua maturidade de cibersegurança.
A WTSNET pode ajudar sua organização a identificar pontos de exposição, priorizar investimentos e desenvolver uma estratégia para reduzir o risco de ransomware sem adicionar complexidade desnecessária ao ambiente.
Fale com um especialista da WTSNET e descubra como preparar sua empresa para prevenir, detectar e responder a ataques de ransomware antes que eles comprometam sua operação.
Perguntas frequentes sobre ransomware
O que é ransomware?
Ransomware é uma forma de ataque cibernético que pode bloquear sistemas, criptografar informações ou roubar dados para exigir pagamento ou realizar extorsão contra a organização.
Qual é a principal causa de ransomware em 2026?
De acordo com o State of Ransomware 2026 da Sophos, e-mail malicioso, phishing e credenciais comprometidas estão entre as principais causas identificadas nos ataques pesquisados.
Backup protege uma empresa contra ransomware?
Backup reduz significativamente o impacto do ataque, mas precisa estar protegido contra exclusão ou criptografia e sua restauração deve ser testada regularmente.
MFA impede ransomware?
MFA reduz substancialmente o risco de comprometimento de contas, mas não deve ser utilizada isoladamente. A recomendação é adotar autenticação resistente a phishing, princípio do menor privilégio e monitoramento de identidades.
Qual a diferença entre EDR, XDR e MDR?
EDR monitora e responde a ameaças nos endpoints. XDR correlaciona sinais provenientes de diferentes camadas de segurança. MDR adiciona especialistas responsáveis pelo monitoramento, investigação e resposta às ameaças.
Uma pequena ou média empresa também pode ser alvo de ransomware?
Sim. Empresas de todos os portes podem ser atingidas. Organizações menores podem inclusive sofrer impactos proporcionalmente maiores quando possuem equipes de segurança reduzidas ou menor capacidade de recuperação.
Fontes e referências
- Sophos — State of Ransomware 2026.
- Sophos — Active Adversary Report 2026.
- CISA — #StopRansomware Guide.
- NIST — Ransomware Risk Management: A Cybersecurity Framework 2.0 Community Profile.
- FBI — Internet Crime Report 2025.
- Microsoft — Digital Defense Report 2025.



